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sábado, 15 de maio de 2010

Pessoas são como pipocas...



Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre.
Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor.
Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre.
Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também. Imagino que a pobre pipoca fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si.
Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela. A Pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.
Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de Pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida Inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém.
Extraído do livro O amor que acende a lua, de Rubem Alves

domingo, 22 de março de 2009

HISTÓRIAS


70* Cunhas ocultas

-Arrependimento“A tempestade de neve, de modo geral, não era destrutiva. É verdade que derrubava algumas cercas e fazia com que os acidentes nas estradas aumentassem. Tornava-se difícil e desagradável caminhar pelas ruas. O tempo era ruim, mas nada de sério.
Normalmente, a grande nogueira resistiria ao peso que se formara em seus galhos. Foi a cunha de ferro incrustada nela que causou o estrago.
A história da cunha de ferro começou há muitos anos, quando o fazendeiro de cabelos brancos ainda era um rapaz, morando na propriedade rural de seu pai. A serraria acabara de sair do vale, e os colonos ainda encontravam ferramentas e pedaços de equipamento quebrado espalhados pelo local.
Naquele dia, em particular, ele encontrou uma cunha de lenhador—larga, achatada e pesada, com mais ou menos 30 cm de comprimento, entortada por vigorosas batidas.
O caminho que saía do pasto sul não passava pelo telheiro de lenha, e, como ele já estava atrasado para o jantar, colocou a cunha (...) entre os galhos da nogueira nova que o pai havia plantado perto da porteira principal. Guardaria a cunha logo depois do jantar, ou quando fosse para aquele lado.
Ele pretendia mesmo fazer isso, mas nunca o fez. Lá estava ela entre os galhos, um pouco apertada, quando ele se tornou homem. Estava lá, já firmemente presa, quando ele se casou e passou a tomar conta da fazenda de seu pai. Estava lá, quase toda coberta pelo tronco, no dia em que a equipe de debulhadores jantou sob a árvore (...).
Toda envolvida pelos galhos, a cunha ainda estava lá no dia da tempestade de neve.
No silêncio daquela noite de inverno, quando a neve caía como chuva e se congelava no chão, um dos três troncos principais soltou-se da árvore e espatifou-se no chão. Isto tirou o equilíbrio da copa restante, fazendo com que toda a árvore caísse. Quando passou a tormenta, nenhum ramo da árvore orgulhosa permanecia de pé.
Na manhã seguinte, bem cedinho, o fazendeiro foi chorar sua perda. ‘Daria um milhão de dólares para que isso não tivesse acontecido’, disse ele. ‘Era a árvore mais bela do vale.’
Foi então que seus olhos depararam com um objeto que se encontrava entre o que restara da árvore. ‘A cunha’, murmurou ele, consternado. ‘A cunha que eu encontrei no pasto sul.’. Um olhar lhe revelou o motivo da queda de sua árvore. Com a lâmina voltada para cima, a cunha impedira que as fibras dos ramos se entrelaçassem como deviam.” (Samuel T. Whitman, “Forgotten Wedges”, citado por Spencer W. Kimball, Conference Report, abril de 1966, pp. 70–71; ou Improvement Era junho de 1966, pp. 523–524.)

71* A fábula do rato


Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali. Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos: - Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa !!A galinha disse: - Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.O rato foi até o porco e disse: - Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira !- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que o Sr. Será lembrado nas minhas orações.O rato dirigiu-se à vaca. E ela lhe disse: - O que ? Uma ratoeira ? Por acaso estou em perigo? Acho que não !Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego. No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher… O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal. Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco. A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo. “Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco. O problema de um é problema de todos.”
72* Trabalho árduo molda caráter
Ninguém, em nossa cidade de Utah, sabia de onde viera a Condessa; seu inglês impecável indicava que ela não nascera nos Estados Unidos. Pelo tamanho de sua casa e o número de empregados, nós sabíamos que ela devia ser muito rica, mas jamais recebia convidados, e deixava bem claro que, quando estava em casa, era totalmente inacessível (...).
A Condessa sempre andava com uma bengala, não apenas como ponto de apoio, mas como instrumento de castigo para qualquer jovem que ela achasse que o merecia. E,num momento ou em outro, a maioria dos meninos de nossa vizinhança parecia ter essa necessidade. Sendo rápido e permanecendo alerta, eu conseguira ficar fora do alcance de sua bengala. Mas certo dia, quando eu tinha 13 anos, cortei caminho atravessando sua cerca, e a bengala chegou a raspar minha cabeça. ‘Ai!’ gritei eu, pulando para longe dela.
‘Meu rapaz, quero conversar com você,’ disse ela. Eu fiquei esperando um sermão sobre os males da invasão, mas, ao olhar para mim, meio sorrindo, ela pareceu mudar de idéia. ‘Você não mora naquela casa verde com salgueiros, no outro quarteirão?’
‘Moro, sim, senhora.’
‘Você cuida do seu gramado? Coloca água nele? Apara-o?’
‘Sim, senhora.’
‘Ótimo! Eu perdi meu jardineiro. Esteja em minha casa quinta-feira pela manhã, às sete horas, e não me diga que tem outra coisa para fazer; eu já vi você vagabundeando às quintas-feiras.’ Quando a Condessa dava uma ordem, era obedecida. Não me atrevi a faltar na quintafeira. Tive que cortar a grama três vezes, até ela ficar satisfeita, e depois ela me fez agachar-me e arrancar os matinhos, até que meus joelhos ficaram verdes como a grama. Finalmente, chamou-me para o terraço.
‘Bem, meu rapaz, quanto quer pelo seu dia de trabalho?’
Não sei. Talvez meio dólar.’
‘É isso que você acha que vale?’
‘É, sim, senhora. Mais ou menos isso.’
‘Muito bem. Aqui estão os 50 centavos que você diz que vale, e aqui o dólar e meio que eu ganhei para você empurrando-o. Agora vou dizer-lhe como é que nós dois vamos trabalhar juntos. Há inúmeras maneiras de se cortar a grama, e elas podem valer de 1centavo a 5 dólares. Digamos que um trabalho de 3 dólares seria o que fez hoje, se tivesse feito tudo sozinho. Um trabalho de 4 dólares seria tão perfeito que você seria um bobo, se passasse tanto tempo assim trabalhando num jardim. Um trabalho de 5 dólares é—bem, isso seria impossível, portanto esqueçamos essa parte. Bem, vou
pagar-lhe, cada semana, de acordo com sua própria avaliação do trabalho realizado.’
Saí de lá com meus 2 dólares, mais rico do que jamais me sentira em toda minha vida e determinado a conquistar 4 dólares na semana seguinte. Mas não consegui nem mesmo alcançar a marca dos 3 dólares. Comecei a fraquejar na segunda rodada de limpeza.
‘Dois dólares novamente, hein? Esse tipo de trabalho o coloca em perigo de ser despedido, meu jovem.’
‘Sim, senhora. Mas trabalharei melhor na próxima semana.’
E, de alguma forma, eu consegui. Na última rodada de limpeza do jardim, eu estava exausto mas, não sei como, forcei-me a continuar. No entusiasmo daquela nova sensação, não hesitei em pedir 3 dólares à Condessa. Todas as quintas-feiras, durante as quatro ou cinco semanas seguintes, variei entre 3 a 3 dólares e meio. Quanto mais me familiarizava com o jardim, lugares onde a terra era
mais alta ou mais baixa, pontos onde a grama precisava ficar bem baixa ou um pouco mais alta nos cantos, para que as curvas do jardim ficassem mais bonitas, mais eu me conscientizava do que consistia um jardim de 4 dólares. E toda semana eu me decidia a realizar aquele tipo de trabalho. Mas, quando alcançava a marca dos 3 dólares e meio, estava cansado demais até para me lembrar de que tivera a ambição de passar daquele ponto.
‘Você me parece um bom e constante menino de 3 dólares e meio’, dizia ela, ao me entregar o dinheiro.
‘Acho que sim.’ dizia eu, feliz demais com a visão do dinheiro para lembrar-me de que minha meta inicial fora mais alta.
‘Ora, não fique muito triste,’ ela me consolava. ‘Afinal de contas. existe no mundo apenas um punhado de gente que seria capaz de fazer um trabalho de quatro dólares.’
E essas palavras, a princípio, eram um consolo. Mas, pouco a pouco, sem que eu percebesse o que estava acontecendo, esse consolo começou a me irritar, fazendo-me decidir que executaria um trabalho de 4 dólares, nem que isso me matasse. No calor de minha decisão, via-me expirando no jardim, com a Condessa curvada sobre mim, estendendo-me os 4 dólares com lágrimas nos olhos, suplicando-me perdão por pensar que eu não era capaz de alcançar aquela marca.
Foi no meio de uma dessas visões, numa noite de quinta-feira, quando eu estava tentando esquecer a derrota daquele dia e dormir um pouco, que a verdade me atingiu como um raio, fazendo-me sentar na cama, quase sufocado pela emoção. Era o trabalho de 5 dólares que eu precisava realizar, não o de 4! Eu tinha de fazer o trabalho que ninguém mais conseguiria, por ser impossível!
Tinha plena consciência das dificuldades que me esperavam. Havia o problema, por exemplo, dos ninhos de minhoca, na terra. Talvez a Condessa nem os tivesse notado, pois eram muito pequenos. Mas, com os pés descalços, eu sabia a respeito deles, e precisava dar um jeito. E poderia continuar a aparar os canteiros com a tesoura, mas sabia que um trabalho de 5 dólares exigia que eu marcasse as bordas dos canteiros com uma linha esticada entre duas pedras, para cortar com exatidão, em linha reta. E havia outros problemas que apenas meus pés e eu conhecíamos.
Iniciei na quinta-feira seguinte, passando um rolo pesado sobre os ninhos de minhocas.
Após duas horas fazendo isso, já estava pronto para terminar meu dia! Eram apenas nove horas da manhã, e minha força de vontade já estava desaparecendo! Foi por acaso que descobri como reconquistá-la. Sentado debaixo de uma nogueira, para descansar alguns minutos, caí no sono. Quando acordei, instantes mais tarde, o jardim pareceu tão bonito a meus olhos descansados, e a terra tão gostosa debaixo de meus pés, que desejei ardentemente continuar o trabalho.
Segui esta fórmula secreta durante todo o dia, cochilando por alguns minutos no final de cada hora de trabalho, para renovar minha perspectiva e minhas energias. Entre cochilos, passei o cortador de grama quatro vezes, duas no sentido do comprimento e duas no sentido da largura, até que o gramado ficou parecendo um tabuleiro de xadrez, feito de veludo.
Depois, cavei ao redor de cada uma das árvores, retirando os pedaços duros de terra e desmanchando-os com as mãos, para depois passar o aparador, de forma regular e simétrica. Em seguida, cortei a grama que crescia entre as lajes que compunham o caminho principal.
Fiquei com as mãos feridas de segurar a tesoura, mas o caminho nunca pareceu tão bonito. Finalmente, lá pelas oito horas da noite (...) tudo estava terminado. Estava tão orgulhoso, que nem me sentia cansado, quando bati à porta.
‘Bem, como foi hoje?’ ela perguntou.
‘Cinco dólares,’ respondi, tentando manter-me calmo e frio.
‘Cinco dólares? Você quer dizer, quatro, não é? Eu lhe disse que um trabalho de cinco dólares era impossível.’
‘Não, não é. Acabei que realizá-lo.’
‘Bem, meu jovem, o primeiro jardim de 5 dólares da história, certamente merece uma
observação cuidadosa.’
Caminhamos pelo jardim juntos, à última luz da tarde, e até mesmo eu estava duvidando da possibilidade de fazer o que havia feito.
‘Meu jovem,’ disse ela, colocando a mão no meu ombro, ‘o que foi que o levou a fazer uma coisa tão louca e maravilhosa?’
Eu não sabia o que fora, mas, mesmo que soubesse, não poderia ter explicado, em meio ao entusiasmo de ouvi-la dizer que eu havia feito.
‘Acho que sei,’ continuou ela, ‘como você se sentiu, quando teve a idéia de realizar um trabalho que eu lhe dissera ser impossível. A princípio ficou muito feliz, e depois um pouco amedrontado. Não é verdade?’
Ela percebeu que estava certa, pela surpresa em meu rosto.
‘Eu sei como se sentiu, porque a mesma coisa acontece com quase todo mundo. As pessoas sentem este impulso de realizar uma grande coisa. Sentem uma enorme felicidade, mas esse sentimento passa, porque elas dizem: “Não, não vou conseguir.
Isso é impossível.” Sempre que algo dentro de você disser “É impo ssível”, lembre-se de fazer um exame cuidadoso. Veja se não é realmente Deus que lhe está pedindo que cresça um centímetro, ou um metro, ou um quilômetro, para que você alcance uma vida mais plena.
Desde aquela época, cerca de 25 anos atrás, quando me sinto em um beco sem saída, diante do aparecimento daquela palavra ‘impossível’, experimento novamente o inesperado impulso, um salto dentro de mim, sabendo que o único caminho possível passa bem pelo meio do impossível.” (Richard Thurnam, “The Countess and the Impossible”, Reader’s Digest, junho de 1958, pp. 107–110.)


segunda-feira, 16 de março de 2009

HISTÓRIA DO HINO "IRMÃS EM SIÃO"


Irmãs em Sião

Letra: Emily H. Woodmansee, 1838-1906

Música: Janice Kapp Perry, n. 1938

Referências:Gálatas 6:2, 9-10D&C 11:12-14


Simplesmente Maravilhoso se antes eu amava esse hino imaginem agora?
Em 1856, Julia e Emily Hill, duas irmãs que se filiaram à Igreja na Inglaterra quando eram adolescentes e que foram renegadas pela família, conseguiram finalmente pagar a passagem e ir para a América e já quase tinham chegado à sonhada Sião. Elas estavam cruzando as planícies americanas com a Companhia de Carrinhos-de-Mão Willie quando elas e muitos outros ficaram em dificuldades no caminho devido a uma tempestade de neve inesperada em outubro. A irmã Deborah Christensen, bisneta de Julia Hill, contou o seguinte sonho emocionante sobre elas:“Eu via Julia e Emily desamparadas na neve e ao vento, no alto de Rocky Ridge, com o restante da companhia Willie. Elas não tinham nenhuma roupa que as aquecesse no inverno. Julia estava sentada na neve, tremendo. Ela não conseguia mais andar. Emily, que também estava congelando, sabia que se não ajudasse Julia a se levantar, Julia morreria. Quando Emily colocou os braços em torno da irmã para ajudá-la a se erguer, Julia começou a chorar — mas nenhuma lágrima lhe caía do rosto, apenas o som de fracos soluços. Juntas, caminharam lentamente até seu carrinho de mão. Treze pessoas morreram naquela noite terrível. Julia e Emily sobreviveram”.Irmãs, se elas não tivessem uma à outra, essas irmãs provavelmente teriam morrido. Além disso, elas ajudaram outras pessoas, inclusive uma jovem mãe e seus filhos, a sobreviverem a essa devastadora parte da viagem. Foi Emily Hill Woodmansee que mais tarde escreveu a linda letra do hino Irmãs em Sião. A estrofe “seus filhos servindo com terno amor” ganha um novo significado quando imaginamos sua experiência nas planícies.

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